Leandro Diehl

Ninguém merece morrer sozinho

Ninguém merece morrer sozinho

2 minutos Hoje levei meus alunos de Semiologia para conversar com um idoso ictérico e emagrecido que estava investigando uma possível neoplasia. O paciente estava cabisbaixo e triste. Mesmo afirmando que não tinha dor naquele momento, sua expressão revelava um profundo sofrimento. Algo lhe doía, e não era a doença. Tentando entender a razão de tanto pesar, perguntei-lhe se a família estava vindo lhe visitar, pois estava há 3 semanas no hospital. Foi quando ele pôs-se a chorar. – Minha filha nunca veio aqui! Continue lendo

Caso clínico 7: Um diagnóstico obscuro

Caso clínico 7: Um diagnóstico obscuro

9 minutos   Comentário Não há como fugir desta verdade: uma história clínica bem feita é o primeiro passo na direção do diagnóstico correto. O Dr. Wilson Sanvito já afirmou que “a anamnese é o exame mais sofisticado da Medicina”. Existem centenas de causas possíveis para perda de peso involuntária em adultos. Neoplasias, doenças do trato gastrointestinal e distúrbios psiquiátricos ou psicossociais são as mais comuns. Aqui, no entanto, uma conversa e um exame físico minuciosos revelaram dados importantes: hipotensão e taquicardia posturais, hiperpigmentação Continue lendo

4 dicas imperdíveis (e 2 roteiros) para uma boa anamnese

4 dicas imperdíveis (e 2 roteiros) para uma boa anamnese

7 minutos Dá para fazer omelete sem ovos? Claro que não! Da mesma maneira, é impossível desenvolver um bom raciocínio diagnóstico sem uma história clínica e um exame físico adequados. Colher informações acuradas e completas do paciente é o primeiro passo em direção ao diagnóstico e tratamento corretos. Uma boa coleta de dados do paciente, como já vimos, é um dos três pilares do diagnóstico correto, junto com o conhecimento das doenças e o raciocínio clínico apropriado. (Leia nosso post anterior sobre os três pilares Continue lendo

As grandes imitadoras

As grandes imitadoras

8 minutos VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DAS “GRANDES IMITADORAS”? São doenças ou condições particularmente difíceis de diagnosticar, pois podem ter apresentações clínicas muito variadas e assim imitar várias outras patologias, podendo confundir o médico e levá-lo a erros de diagnóstico. (Em um post anterior, já citamos as grandes imitadoras como causas de diagnóstico difícil – assim como as zebras, os camaleões e os unicórnios). O protótipo (e a mais conhecida) das grandes imitadoras é a sífilis. A sífilis é uma armadilha diagnóstica perfeita porque: Continue lendo

Caso clínico 5: A ferramenta errada

Caso clínico 5: A ferramenta errada

8 minutos O caso clínico abaixo foi traduzido e adaptado a partir de um relato originalmente publicado na PSNet (Patient Safety Network), comentado pelos doutores Casey Cable, David Murphy e Greg Martin. Confira:   Caso clínico Um homem de 88 anos procurou o pronto-socorro com dor lombar há 2 dias. O paciente era hipertenso e tinha um prolapso de valva mitral com regurgitação. Na chegada, estava em bom estado geral, consciente, orientado, PA 130x75mmHg, FC 65bpm, FR 16irpm, temperatura 36,3oC e saturação de oxigênio Continue lendo

[Grandes Nomes do Raciocínio Clínico] 4: Pat Croskerry

[Grandes Nomes do Raciocínio Clínico] 4: Pat Croskerry

13 minutos   Antes de mais nada, precisamos confessar: todos os 3 editores deste blog são fãs de carteirinha do nosso entrevistado deste mês. Por isso, ficamos muito felizes quando conseguimos entrar em contato com o Dr. Pat Croskerry e ele concordou em nos ceder esta entrevista exclusiva!   Quem é Pat Croskerry? Um médico emergencista do Canadá que estuda erros diagnósticos e raciocínio clínico para entender por que os médicos (até os ótimos) cometem erros.   Quais suas contribuições? Formado também em psicologia Continue lendo

Duas cabeças em uma: a teoria do processo dual

Duas cabeças em uma: a teoria do processo dual

9 minutos Autor: Dr. Guillermo Ojeda Burgos Residentes e estudantes de Medicina geralmente ficam surpresos quando, durante os encontros com pacientes, falamos sobre vieses cognitivos. É evidente, pelas suas expressões faciais, que eles nunca estudaram sobre isso. Por exemplo: “Este é um exemplo de pensamento não-analítico que se associou à omissão de informação clinicamente relevante e que causou um fechamento prematuro.” Este comentário tinha a ver com um paciente morador de rua atendido na sala de emergência, que tinha sintomas respiratórios e um infiltrado Continue lendo