[Grandes nomes do raciocínio clínico] 1: Celmo Celeno Porto

Grandes Nomes do Raciocínio Clínico - 01: Celmo Celeno Porto

Professor, qual é o livro para a gente estudar para a prova de Semiologia?”

O Porto.”

Este diálogo, com certeza, se repete, todo final de semestre, em quase todas as escolas médicas do Brasil. O livro “Semiologia Médica”, de Celmo Celeno Porto, atualmente na sua sétima edição, ganhou rapidamente o status de “Bíblia da Semiologia”, graças ao seu conteúdo completíssimo e ao seu texto didático, direto e fácil de ler.

Se você estuda Medicina, sem dúvidas você conhece o livro. Sua influência sobre as últimas gerações de médicos brasileiros é imensa. Desde a primeira edição do livro, em 1990, praticamente ninguém se formou médico no Brasil sem aprender semiologia com o Porto.

Em outras palavras: cada vez que um médico brasileiro, formado de 1990 em diante, avaliou um paciente qualquer, é muito provável que esse médico tenha usado técnicas de entrevista ou realizado manobras de exame físico que ele aprendeu no Porto.

E, como se sabe, a semiologia adequada, levando a uma coleta de dados completa e eficiente, é um dos três pilares do diagnóstico correto (juntamente com o conhecimento médico suficiente e o raciocínio clínico apropriado).

Livro Semiologia Médica, Celmo Celeno Porto - raciocínio clínico
O livro clássico do Prof. Porto

OK, você conhece o livro, e sabe da sua importância. Mas, e o autor? Já parou para pensar quem é o homem por trás do livro?

O Prof. Dr. Celmo Celeno Porto é uma das raras pessoas que são referência absoluta na sua área – tão conhecido por todos os estudantes de Medicina que chega, às vezes, a ser confundido com o livro. (“O Porto falou isso.” “O livro?” “Não, o professor.”)

Tendo em vista tudo o que ele representa para a semiologia e o raciocínio clínico neste país, o Prof. Celmo Celeno Porto é o primeiro homenageado desta seção que estamos inaugurando no nosso blog. A cada mês, vamos publicar a biografia e as principais ideias de um dos grandes nomes do raciocínio clínico, no Brasil e no mundo.

Tivemos o privilégio de conhecer pessoalmente o professor Porto por ocasião de uma vinda dele a Londrina em 2014, para ministrar uma palestra inesquecível aos estudantes de medicina. Foi nessa oportunidade que ele ficou sabendo que o livro dele servia não só para ler, mas também para praticar a técnica de percussão! (Se você percutir o Semiologia Médica – especialmente a 5a. edição, o de capa vermelha – você vai obter um som claro pulmonar perfeito, o mesmo som que ouviria ao percutir um pulmão normal. Experimente!)

(CLIQUE AQUI para ler matéria publicada no site Academia Médica sobre esse evento.)

 

Dr. Celmo Celeno Porto e Dr. Leandro Diehl, em Londrina - raciocínio clínico
Dr. Leandro Diehl e Dr. Porto, em Londrina (2014).

 

Atualmente Professor Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, mesma escola onde lecionou por décadas, ele é o perfeito exemplo de pessoa apaixonada pela sua profissão. Tanto, que sua história de vida se confunde, em alguns pontos, com a história da Medicina no Brasil.

Mas, quem melhor para contar a história da vida do professor Porto do que… o próprio Porto?

O professor Porto, gentilmente, concordou em nos enviar um texto com a história da sua vida, que compartilhamos abaixo.

(Ele também nos deu uma entrevista exclusiva, em que fala de semiologia, tecnologia e raciocínio clínico! CLIQUE AQUI para conferir!)

Confira abaixo a biografia do Dr. Porto, escrita por ele mesmo:

 

Dr. Pedro Gordan, Dr. José Eduardo Siqueira e Dr. Celmo Celeno Porto - raciocínio clínico
Dr. Pedro Gordan, Dr. José Eduardo Siqueira e Dr. Porto no evento em Londrina, em 2014.


Celmo Celeno Porto: Uma autobiografia (2017)

Nasci em 1934 em Araguari (MG), na fazenda de meus avós maternos, por imposição de minha avó Laudelina, que era a mais perfeita encarnação da “matriarca”. Suas filhas eram obrigadas a ir para a sua casa para ter seus filhos. Os umbigos dos netos passaram a ser enterrados  no seu belo jardim e no local era plantada uma árvore!

Passei a infância em Abadia dos Dourados, um povoado na divisa entre os estados de Minas Gerais e Goiás, onde meu Pai  –  Calil Porto  –  foi praticar a medicina, logo após sua graduação na Faculdade de Medicina da Praia Vermelha, lá permanecendo durante vinte anos.

Desde muito pequeno acompanhava meu pai, a pé ou a cavalo, nas visitas que ele fazia aos pacientes que não podiam ir ao seu consultório, instalado na parte da frente de nossa casa. Outro detalhe: os pacientes graves ficavam internados no quarto de hóspedes. Donde se pode deduzir que a escolha da medicina foi uma continuação de minha infância.

Meus primeiros contatos com livros foram com o Mestre-Escola Constâncio Lopez, professor da “Escola de Ler, Escrever e Contar”, como se denominava naquela época, para onde iam todos os meninos e meninas a partir dos seis anos de idade. O detalhe que fez a diferença é que o Prof. Lopez era um catedrático da Universidade de Madrid, que teve de fugir quando sua vida estava em risco por fazer oposição ao General Franco.

Como todo ditador, o “Generalíssimo” Franco, como se autodenominava, passou a perseguir e assassinar seus opositores, entre os quais estavam os intelectuais. O Prof. Lopez pôs na mala os livros que considerava mais importantes, entre eles o Don Quixote em espanhol, é claro,que lia para nós. Acredito que esta é a raiz mais profunda de minha formação cultural.

Aos onze anos fui para Belo Horizonte para fazer o  ginasial e o científico, que correspondem ao fundamental e médio, no Instituto Padre Machado, que tinha uma proposta  pedagógica avançada para aquela época, com grande biblioteca, modernos laboratórios de ciências e ótimos professores.

Entrei para a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais em 1953 e fui um estudante muito atuante na vida acadêmica e política. Fui monitor de Anatomia, de Bioquímica e Semiologia Médica, cuja denominação era Clínica Propedêutica Médica.

Presidi o Diretório Acadêmico Alfredo Balena, com participação intensa nas questões de ensino. Ainda como estudante, fiz minhas primeiras incursões na área de pesquisa, integrando o grupo do Prof. Arnaldo Elian, que era Assistente do Prof. João Galizzi, um dos responsáveis pela introdução da cardiologia moderna em Minas Gerais.

Formei em 1958, tendo sido o Orador da Turma. Cinco anos depois, defendi uma Tese de Doutorado na mesma Faculdade. Foi considerado fato inédito um médico do interior  –  naquela época estava trabalhando em Araguari, MG  –  fazer uma tese, que, por sinal, foi aprovada com nota 10.

Sou especialista em Clinica Médica pela SBCM e em Cardiologia pela SBC. Fiz curso de aperfeiçoamento em Medicina Tropical na USP e de Pedagogia Médica pela ABEM.

Atualmente sou Professor Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Professor Orientador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFG, Membro Titular da Academia Goiana de Medicina e Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina.

Além de mais de uma centena de artigos científicos, publiquei os seguintes livros: Exame Clínico (8ª edição), Semiologia Médica (7ª edição), Vademecum de Clínica Médica (2ª edição), Clínica Médica na Prática Diária (1ª edição), Interação Medicamentosa (1ª edição), Cartas aos Estudantes de Medicina (1ª edição), Dr. Calil Porto, o menino e a borboleta (1ª edição), disponíveis no formato físico e em ebook, todos publicados pela Editora Guanabra-Koogan, do Rio de Janeiro.

 


Agradecemos imensamente ao Prof. Dr. Celmo Celeno Porto pela gentileza em nos enviar sua autobiografia!

No mês que vem, traremos outro Grande Nome do Raciocínio Clínico. Fique ligado!


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