A educação médica brasileira vista pelo blog Raciocínio Clínico

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COBEM - Congresso Brasileiro de Educação Médica

Não fizemos parte da lista de palestrantes oficiais do 56º COBEM (Congresso Brasileiro de Educação Médica), que aconteceu no último final de semana em Vitória/ES.

Inscrevemo-nos e competimos para ministrar uma das prestigiosas oficinas pré-congresso. Fomos qualificados e aceitos, por nossa conta e risco!

oficina Raciocínio Clínico: Como Ensinar - Congresso Brasileiro de Educação Médica

Nossa oficina (“Raciocínio Clínico: Como Ensinar”) recebeu mais de 40 participantes, de todos os cantos do Brasil, e foi muito bem avaliada, como demonstra a word cloud abaixo:

Raciocínio Clínico: Como Ensinar - Congresso Brasileiro de Educação Médica

Há fortes indícios de que o raciocínio clínico esteja finalmente encontrando seu merecido lugar de destaque na educação médica, como indica o sucesso da nossa e também de outra oficina sobre o mesmo tema, dirigida pelos excelentes Rosa Malena de Faria e Alexandre Moura, do primeiro grupo organizado de raciocínio clínico do Brasil (UNIFENAS/MG).

Há que se destacar também a palestra de Daniel Fernandes Mello de Oliveira (UFRN) sobre mapas conceituais no raciocínio clínico! Ouvimos muitos comentários também sobre ser o raciocínio clínico um fio guia interessante nos desenhos curriculares atuais.

Mas, como professores que somos, e preocupados com o futuro da educação médica no Brasil, não podemos deixar de comentar sobre o que vimos e sentimos neste COBEM.

Como vemos a ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica) hoje?

Com desalento – e esperança.

 

Desalento…

ABEM - Associação Brasileira de Educação Médica

Com desalento por ver a ABEM dilacerada, dividida, desatualizada, radicalizada e inflada!

Todos estes sintomas eram previstos pelo crescimento desordenado de escolas médicas, pela necessidade desesperada por capacitação em todos os níveis e pela necessidade de oferecer uma educação médica que fosse adequada não só às Diretrizes Curriculares como à própria Medicina atual.

A dilaceração e divisão ocorreram por uma série de situações e eventos que fizeram com que se criassem inúmeras corporações e consultorias. Estas, no afã de atender à demanda por capacitação, titulação e implantação de seus modelos (muitos dos quais, ultrapassados), jogaram a comunidade num caos educacional.

Várias destas “consultorias” não resistiram à ganância e fizeram muitas escolas caírem nas esparrelas de currículos falsamente inovadores, para atender ao ego das mantenedoras e criar ilusões nos estudantes. Com isto, houve uma rotura do tecido educacional, o qual, por sua natureza, demanda boas escolhas, tempo, seriedade e consolidação.

A repetição ad nauseam de temas ultrapassados e o nível sofrível de muitas apresentações fizeram deste COBEM um congresso tecnicamente irrelevante.

Numa sociedade polarizada, é obvio que a ABEM não deixaria de sê-la. Mas isto também é agravado pela falta de democracia interna da ABEM. Cada sócio deveria ser um voto. A atual situação propicia a formação de grupinhos e corporativismo. Esta configuração não incentiva, e às vezes impede, a abertura e o pluralismo.

Outro problema é o peso dado aos estudantes, que, embora sinceros, são, na sua maioria, radicais, e não contribuem para um crescimento efetivo e harmônico de uma ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA digna do nome. Imaginem só quão ridícula seria uma Association of American Medical Colleges com estudantes fazendo parte do seu conselho de administração. Cômico, se não fosse trágico!

 

Esperança!

A presença de duas chapas concorrentes para disputa dos destinos da ABEM foi um sinal de vitalidade. Respeitamos ambas as chapas. Esperamos que a chapa vencedora, dirigida pelo professor Nildo Batista, tenha a grandeza de pacificar o ambiente, e possa administrar as diferenças de maneira equânime.

Os desafios são muitos:

– Respeitar as decisões tomadas pelo projeto de acreditação de escolas médicas, que é um projeto nacional, e não só da ABEM;

– Normatizar a capacitação e promover a qualificação, em conjunto com as instituições de ensino superior, colocando-se na vanguarda do ensino e da pesquisa educacional;

– Ser transparente e assumir a posição de intérprete e representante legitima dos anseios intelectuais e profissionais de todos os educadores da área da saúde.

 

O futuro:

Já é passada a hora de se tomar posições que dirijam as ações educacionais para a prática médica de excelência, e que se diminua o fosso existente entre os saberes pedagógicos e a docência clínica.

Quem sabe não seja este também o momento de se incorporar o raciocínio clínico, de maneira oficial e efetiva, nas matrizes curriculares, para que este venha a ser o elemento integrador e motivador da aprendizagem nas escolas médicas?

Há muitos professores e professoras, médicos ou não, empolgados com o desafio da educação e com o ideal da Medicina. É preciso formar e incentivar docentes, abrir portas, colaborar e crescer. Isso das mais variadas maneiras, inclusive pela internet, como nós e outros temos feito.

Vamos juntos em busca de educação médica de excelência!

 


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