Livro imperdível: As Leis da Medicina

Está chegando o final de ano, época em que muita gente resolve aproveitar para colocar a leitura em dia.

Por isso, vamos deixar uma ótima sugestão de leitura para quem quer ler um pouco nas férias sobre raciocínio clínico e sobre Medicina em geral!

É o livro “As Leis da Medicina” (“The Laws of Medicine: Field Notes from an Uncertain Science”).

 

As leis da Medicina - Raciocínio Clínico

As leis da Medicina

Neste pequeno e despretensioso livro, o famoso autor Siddhartha Mukherjee (que também escreveu “O Imperador de Todos os Males” e “O Gene”) compartilha suas reflexões sobre informação, incerteza e o futuro da Medicina.

Esse livro foi escrito em um período de pouca leitura (pois o autor estava integralmente envolvido com sua residência médica) mas muita reflexão, culminando com sua descoberta das “três leis da Medicina”. Essas não são leis rígidas e imutáveis como as da Física. Antes, são leis da incerteza e da imperfeição, características da atividade médica.

Seguem abaixo as leis da Medicina, como descritas pelo Dr. Mukherjee:

 

1ª Lei: Uma intuição forte tem mais poder que um teste fraco

Suponha que você aplique indiscriminadamente um teste de HIV cuja taxa de falso-positivo seja de 1:1.000, em uma população na qual a prevalência de HIV seja de 0,1%.

Agora, responda: se um indivíduo tiver um teste positivo, qual é a probabilidade de que ele tenha de fato HIV?

99%?

95%?

90%?

80%?

Na verdade, a probabilidade real é de 50%. Ou seja: o teste foi tão útil quanto tirar cara ou coroa.

Usando o Teorema de Bayes, entendemos que estimar a probabilidade da ocorrência de um evento depende de estimativas prévias, como a prevalência de uma doença (ou a probabilidade pré-teste) e as características do teste.

Por exemplo: se um teste de D-dímero é positivo, é certo que o paciente tem tromboembolismo pulmonar (TEP)?

Depende!

Se, pelo conjunto do quadro clínico, você estima que há uma alta probabilidade de TEP – ou seja, há uma alta probabilidade pré-teste – então, sim! O teste ajuda muito.

No entanto, se a probabilidade pré-teste é baixa, então o risco de falsos-positivos do teste acaba sendo muito grande, e este se torna um teste fraco.

Por outro lado, uma intuição forte é quando temos uma boa identificação do quadro clínico e hipóteses diagnósticas bem elaboradas. Isso vale muito mais que um teste fraco.

Em conclusão: Atirar para todo lado (usando testes fracos) não é uma boa estratégia.

Siddhartha Mukherjee - Raciocínio Clínico
Siddhartha Mukherjee

 

2ª Lei: O “normal” ensina regras, o “excepcional” ensina leis

Uma pesquisa de tratamento de câncer foi desapontadora. Dos 45 pacientes, 44 pacientes não tiveram a resposta esperada. Só que o 45º teve uma resposta extraordinária. Era um caso excepcional (um outlier).

O que o pesquisador fez? Dispensou esses resultados, e partiu para outro estudo com outra droga?

Não! Ele resolveu aprofundar a investigação no paciente 45, para entender o motivo da sua boa resposta ao tratamento. Acabou descobrindo que este paciente tinha alguns genes que não estavam presentes nos pacientes que não responderam à droga.

Esse único outlier permitiu descobrir, através de pedaços de informação que não se encaixavam, uma nova peça da fisiologia humana. E é assim que muitas novas descobertas têm sido feitas, permitindo um novo entendimento de mecanismos fisiológicos antes desconhecidos.

 

3ª Lei: Para cada experimento perfeito, existe um viés humano perfeito

Os estudos clínicos são uma grande fonte de conhecimento na medicina – mas cuidado! Eles não são livres de vieses.

Um paciente que decide participar de um estudo de controle de hipertensão, diabetes ou emagrecimento toma uma decisão livre e voluntária de participar. Na prática, isso indica que este paciente deve estar mais propenso a aderir e a participar ativamente do processo terapêutico do que o paciente médio.

Pacientes encaminhados para um hospital universitário geralmente são mais graves ou mais complicados que os demais pacientes que não são encaminhados.

Dá para generalizar resultados de estudos feitos com esses pacientes para o universo de pacientes em geral?

Esses e outros exemplos ilustram interferências (muitas vezes imperceptíveis) que ocorrem com praticamente qualquer pesquisa. Por isso, qualquer resultado de estudo científico tem que ser visto de maneira cuidadosa e crítica.

Do mesmo modo que uma só andorinha não faz verão, uma pesquisa só não faz ciência.

 

Por que recomendamos esse livro?

Além do autor usar uma linguagem muito clara e direta, o livro mostra a importância da reflexão individual do médico sobre seu trabalho, suas experiências e a ciência que o informa.

Neste mundo interior de aprofundamento, bem como em conversas e trocas de percepções, podemos avançar muito. É possível buscar desde o desenvolvimento estudantil ou profissional no dia-a-dia até feitos notáveis, como fez o ganhador do prêmio Nobel, Peter Agre, ao descobrir as aquaporinas (veja aqui, na página 186).

Não basta atender pacientes e preencher receitas. Os médicos são também estudiosos e sábios da ciência e da vida.

Leia muito! Esperamos que nossas sugestões ajudem você a ir montando a sua biblioteca.

Um abraço, e boa leitura!

 

Fabrizio

Pedro

Leandro

 


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