Raciocínio clínico: A pedra angular da Medicina

Tempo de leitura: 8 minutos

Qual a real importância do raciocínio clínico? Já parou para pensar nisso? Onde ele se encaixa na sua vida de médico ou estudante?

Para nós, o raciocínio clínico é o verdadeiro núcleo da formação e da atuação do médico. É no raciocínio clínico (diagnóstico ou terapêutico) que se dá a fusão de todos os conhecimentos e competências médicas!

Ele não só é o fio condutor das ações do médico como também define sua própria identidade. Qualquer um pode adquirir os conhecimentos biológicos e biomédicos próprios da Medicina, mas só quando tiver raciocínio clínico para utilizá-los de maneira integrada e consolidada para o diagnóstico, poderá ser chamado de médico.

Que exagero

Será que exageramos?

Achamos que não…

Acompanhe o texto abaixo. Vamos demonstrar a imensa importância do raciocínio clínico como componente central da educação e do atividade do médico.

 

A importância do raciocínio clínico para tomada de decisões

Como dissemos no nosso post sobre os três pilares do diagnóstico, toda vez que o médico precisa tomar uma decisão sobre seu paciente, ele precisa usar três recursos fundamentais:

três pilares do diagnóstico correto
Os três pilares do diagnóstico

 

Coleta de dados

Aquilo que aprendemos e praticamos em semiologia orienta-se para o raciocínio diagnóstico e também ajuda a embasar a tomada de decisões terapêuticas.

História clínica e exame físico bem feitos garantem mais acerto diagnóstico e maior segurança e satisfação para os pacientes!

Várias iniciativas andam surgindo para ressaltar a importância da história clínica bem feita. Por exemplo: você já ouviu falar do blog Stanford 25? Se ainda não conhece, vale a pena conferir!

Mas não basta ser tecnicamente bom, você também precisa ser humanamente bom. Afinal, lidamos com pessoas em situações de dor, vulnerabilidade e sofrimento. É indispensável um relacionamento de confiança e respeito. Em um post anterior, discutindo a arte da anamnese, já comentamos da importância de ouvir (de verdade!) o ser humano enfermo.

 

Conhecimento

Quando é que os estudantes começam a ter aquela sensação de “estar se tornando médico”? Quem passou por isso, sabe. É quando os conhecimentos básicos de anatomia, fisiologia, biologia celular passam a se tornar úteis para diagnosticar e tratar doenças! Começa a surgir o conhecimento clínico, a matéria médica toma forma e é aí que o estudo fica legal de verdade!

Acreditamos que seria um progresso notável se todos os alunos de Medicina começassem a estudar usando uma abordagem voltada para o raciocínio clínico, desde o primeiro dia do curso! A integração com situações clínicas e o estímulo ao raciocínio diagnóstico, desde o início, dão mais motivação e facilitam a integração dos conhecimentos. Envolver o aluno precocemente na solução de problemas clínicos, semelhantes aos da vida real, incentiva a habilidade de pensar como médico.

Também é importante que os alunos aprendam as bases do pensamento científico, para que possam depois ler pesquisas e analisar evidências de forma crítica. Isso ajuda a tomar decisões da maneira mais benéfica para o paciente, através do uso racional de exames complementares e tratamentos. O estudo ainda permite melhorar o entendimento sobre as doenças, refinar o diagnóstico, o tratamento e as orientações para os pacientes.

 

Processos mentais de raciocínio

Discutir os processos mentais de raciocínio clínico diagnóstico e ajudar médicos e estudantes a melhorar suas habilidades diagnósticas é a grande missão do nosso blog! Dada a fundamental importância do raciocínio clínico, o ensino sobre esses processos deveria ter início já nos primeiros dias da faculdade de Medicina. Ou até antes, como sugere um dos maiores experts da área, o Dr. Pat Croskerry (leia nossa entrevista exclusiva com ele).

Até mesmo médicos formados, que já praticam a clínica há algum tempo, podem se beneficiar dessa discussão, aprender alguma coisa e aprimorar sua arte médica.

 

Raciocínio clínico: elo entre as grandes competências

Na figura abaixo, ilustramos como o raciocínio clínico acaba servindo como um elo entre as grandes competências necessárias à formação e à atuação de um bom médico ou médica. Todas acabam sendo, de alguma forma, harmonizadas e integradas através de uma pedra angular: o raciocínio clínico.

Raciocínio Clínico: No centro das competências médicas
Raciocínio clínico: no centro das competências médicas

 

Pense bem: de alguma maneira, tudo aquilo que você aprende na faculdade, na residência ou na vida profissional acaba sendo uma ferramenta para ajudá-lo a desempenhar uma importante tarefa:

– Conhecer a fisiologia do corpo humano, a fisiopatologia das doenças, as características dos exames complementares;

– Construir uma boa anamnese e executar um exame físico adequado;

– Usar a melhor evidência disponível, filtrada através da lógica e do julgamento crítico;

– Atuar sempre com compromisso, ética e profissionalismo, que ajudam a moldar sua identidade enquanto médico.

Todos são requisitos para você poder tomar as melhores decisões pelo seu paciente!

 

Qual é o objetivo do raciocínio clínico?

Observe bem a figura anterior. Note que há um elemento central que se destaca, bem acima:

Raciocínio clínico e o Bem do paciente

 

Sim, é o Bem do paciente. “Bem” com letra maiúscula mesmo, pois é esta a finalidade última da Medicina!

Se é para o raciocínio clínico que confluem todos as competências de um bom médico, é para o Bem do paciente que se orienta o raciocínio clínico. Em última instância, essa é a razão de ser de toda a atividade médica!

É bem clara aqui a importância da empatia, do compromisso, da compaixão e da ética, pois nosso trabalho é diagnosticar e cuidar de pessoas – seja diagnosticando, tratando ou apenas oferecendo conforto ou suporte.

Por outro lado, se as habilidades de raciocínio clínico não estão bem desenvolvidas, tudo isso desmonta, e o estudante ou profissional acaba se tornando apenas uma caricatura de médico.

Mas lembre-se: o bom raciocínio clínico não é um simples raciocínio mecânico, teórico ou abstrato. É um raciocínio profundamente humano, e se vale do estudo das humanidades também. Embora esse aspecto não seja o foco principal do nosso blog, as qualidades humanísticas são inseparáveis da figura do bom médico, e por isso merecem ser sempre lembradas. (Veja, por exemplo, nosso post anterior: “Uma descoberta através da música.)

 

A profissão médica

Profissão” é professar: declarar publicamente o que se faz ou ou em que se acredita. O raciocínio clínico e o humanismo médico moldam a própria identidade profissional do médico, conferindo um modo próprio de pensar, sentirdecidir e agir. Essa identidade dá satisfação pessoal ao profissional, e é aquilo que os pacientes e a sociedade reconhecem e esperam de um médico.

 

Que legal

 

Por fim: isso é bastante, mas não é tudo! Há muitos itens importantes que também precisam ser levados em conta (mas não couberam na nossa figura): segurança do paciente, efetividade, custo-eficácia, liderança, trabalho em equipe, qualidade, engajamento do paciente, humanismo, compaixão, autorrealização etc. Planejamos abordar vários desses tópicos nos nossos próximos posts!

 

Mensagem final

Para a boa prática da Medicina, acreditamos que as grandes competências médicas precisam ser agrupadas em torno de uma linha-mestra comum, e essa linha-mestra é o raciocínio clínico. Entram aí, inclusive, as humanidades médicas, como meio de compreender melhor as pessoas e nos orientar para o Bem do paciente. Essa orientação, por sua vez, é o que nos dará o compromisso e o profissionalismo necessários para o exercício desta profissão tão nobre.

 

Um ótimo 2018 para todos!

 


E você, o que acha disso tudo? O raciocínio clínico é realmente tão importante assim? Escreva sua opinião abaixo, nos comentários! Queremos saber o que você pensa a esse respeito!


Fotos:

Foter.com LulaPPTGenerator / Meme4Fun


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