Erro médico por procuração: riscos do currículo paralelo

Erro médico por procuração: riscos do currículo paralelo

6 minutos A história que vou contar é totalmente verdadeira e pode acontecer com qualquer estudante de Medicina desavisado e explorado, na sua ingenuidade, por médicos irresponsáveis e inescrupulosos. Explico melhor. Todos sabem que cursos de Medicina, desde sempre, carecem dos chamados “cenários de práticas”, onde estudantes podem aprender, supervisionados por profissionais qualificados. É também sabido que estudantes de Medicina, na ânsia de aprender, procuram “estágios”, nem sempre supervisionados, onde podem realizar procedimentos que jamais fariam na sua faculdade, por falta de condições ou Continue lendo

10 dicas para prevenir erros diagnósticos

10 dicas para prevenir erros diagnósticos

7 minutos Em 2015, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos publicou um relatório importantíssimo sobre erros diagnósticos. As principais conclusões desse trabalho, intitulado “Melhorando o diagnóstico no cuidado à saúde” (“Improving diagnosis in health care“) foram as seguintes: erros diagnósticos são comuns: cerca de 10% a 15% dos diagnósticos estão errados; erros diagnósticos são potencialmente graves: estima-se que 40.000 a 80.000 mortes por ano nos Estados Unidos sejam devidas a erros diagnósticos; erros diagnósticos podem – ao menos, em parte – ser prevenidos. Continue lendo

O raciocínio clínico e a bicicleta

O raciocínio clínico e a bicicleta

3 minutos Aprender raciocínio clínico, com certeza, é fundamental. Mas o raciocínio clínico não é nenhuma panaceia! Não me entendam mal. Sou o maior defensor da educação médica através do raciocínio clínico. Mas lembremos que o raciocínio clínico é o meio através do qual as pessoas se tornam bons médicos. O bom raciocínio clínico é constituído de um conjunto de fundamentos e traz consigo a necessidade constante de muita prática, pois se alimenta da experiência pessoal e profissional. Assim, devemos entender que o raciocínio Continue lendo

Caso clínico 8: A pior cefaleia da vida

Caso clínico 8: A pior cefaleia da vida

11 minutos   No post de hoje, falaremos sobre o diagnóstico de cefaleia, e em especial sobre a hemorragia subaracnoide (HSA). Confira: As 3 principais razões para deixar passar uma HSA; Uma lista de causas de cefaleias que você não pode esquecer; BÔNUS! Uma regrinha que não te deixará mandar para casa ninguém com HSA.   Diagnóstico de cefaleia (e de HSA) As cefaleias correspondem a 4% das consultas ambulatoriais e 2% dos atendimentos de pronto-socorro. Menos de 1% dessa população terá HSA. Além Continue lendo

4 livros e 4 artigos imperdíveis sobre raciocínio clínico

4 livros e 4 artigos imperdíveis sobre raciocínio clínico

3 minutos Quer aprender mais sobre os segredos do raciocínio clínico diagnóstico em Medicina? Os editores do blog Raciocínio Clínico selecionaram 4 livros e 4 artigos que são ótimas sugestões de leitura para quem está interessado da ciência e na arte do diagnóstico! Confira!   Livros sobre Raciocínio Clínico: 1 – Como os médicos pensam (How Doctors Think):  Este livro do Dr. Jerome Groopman é leitura obrigatória para todos que querem aprofundar seu conhecimento e suas habilidades na área do diagnóstico clínico. Repleto de histórias Continue lendo

Ninguém merece morrer sozinho

Ninguém merece morrer sozinho

2 minutos Hoje levei meus alunos de Semiologia para conversar com um idoso ictérico e emagrecido que estava investigando uma possível neoplasia. O paciente estava cabisbaixo e triste. Mesmo afirmando que não tinha dor naquele momento, sua expressão revelava um profundo sofrimento. Algo lhe doía, e não era a doença. Tentando entender a razão de tanto pesar, perguntei-lhe se a família estava vindo lhe visitar, pois estava há 3 semanas no hospital. Foi quando ele pôs-se a chorar. – Minha filha nunca veio aqui! Continue lendo

Erro diagnóstico: Dr. Nassib e o mal de Hansen

Erro diagnóstico: Dr. Nassib e o mal de Hansen

1 minuto Dr. Nassib era um cirurgião, alto, magro e vaidosíssimo. Usava roupas finas e na moda. Reforçava isto dizendo: “meu avô lutou na Batalha de Verdun!“, querendo  dar uma conotação francesa à sua elegância. Era tão vaidoso que pintava seu cabelo, precocemente encanecido, de acaju e fazia suas unhas na manicure, pintando-as com esmalte transparente, apesar de cirurgião, ou por isto mesmo! Entrou esbaforido no meu consultório, deixando um rastro de perfume. – Pedro, estou com lepra!! Naquele tempo a hanseníase era assim Continue lendo