Um diagnóstico sobre quatro rodas

Tempo de leitura: 3 minutos

Já falamos muito neste site sobre como os médicos fazem diagnósticos. Mas também é muito interessante observar como os mecânicos fazem diagnóstico:

– Meu carro está fazendo um barulho estranho…

– Como é o barulho?

– Quando eu vou ligar, faz tec, tec, tec…

– Ah, é a bateria, certeza!

Bem desse jeito aqui:

 

Um carro… e um diagnóstico difícil

Pois comigo aconteceu algo parecido.

Depois de um acidente, uma colisão lateral afetando a dianteira direita (sem nada grave comigo ou os passageiros), fui buscar meu carro no conserto. Isso, depois de quase dois meses naquela enrolação básica de oficina-seguradora, obviamente.

Enfim, peguei o carro.

Logo que comecei a andar ouvi um barulho vindo da roda dianteira direita – uóm… uóm… uóm… – junto com uma vibração, que ficava mais forte conforme eu ia mais rápido – uóm uóm uóm uóm uóm!

Mecânico e diagnóstico - raciocínio clínicoO mecânico disse:

– Deve ser por causa do pneu que foi colocado invertido. O da esquerda foi para a direita e vice-versa.

Peraí!

Não entendo muito de mecânica, mas entendo de diagnóstico. Esse negócio está errado! Ele usou só o Sistema 1. Isso é fechamento prematuro!

 

Fechamento prematuro: aceitar uma hipótese diagnóstica muito precocemente no processo diagnóstico, com base em uma impressão inicial incompleta.

 

Então eu fiz a pergunta mágica: o que mais pode ser?

– Acho que é isso mesmo…

Agora já virou preguiça cognitiva.

Lembrei da Lei de Sutton: se o carro sofreu uma pancada na dianteira direita e teve conserto nessa mesma roda, onde raios estará o problema?…

 

Lei de Sutton: vá onde o dinheiro está. (Ou: vá onde a doença está!)

 

– Será que não é o rolamento?

-Não é não. Olha só, quando levanta o carro, acelera e a roda gira livre, o barulho para…

Isso já está virando viés de confirmação… O barulho para pois, com o carro levantado, não tem peso na roda.

Imediatamente lembrei da Navalha de Occam:

– Escuta uma coisa, o que é mais provável, que a roda que já estava danificada ainda esteja com um problema, ou que, além de tudo, o pneu tenha sido colocado errado?

 

Navalha de Occam: sempre que possível escolha a resposta mais simples, pois é mais provável que um menor número de coisas esteja ocorrendo do que muitas coisas simultaneamente.

 

Mas isso eu só pensei, pois se eu falasse, já ia forçar demais a barra com o mecânico.

Então, ao invés de continuar a discussão, optei por um teste terapêutico:

– Vamos destrocar os pneus então? É rapidinho e a gente já tira essa dúvida.

 

Um diagnóstico sobre quatro rodas - raciocínio clínico

 

Feito, pneus trocados, vamos andar.

Qual não foi minha surpresa…

O barulho continuava lá.

Uóm…  uóm…  uóm…

Eu sabia!

Comprovado o erro diagnóstico, deixei meu carro lá, para que o mecânico prosseguisse na sua investigação diagnóstica.

No outro dia, veio a resposta:

– Doutor, vai precisar trocar o rolamento, o cubo e a ponta do eixo…

 

Conclusão

Dominar os processos mentais do raciocínio clínico diagnóstico pode ajudar você em muita coisa! Desta vez, o paciente era o meu carro… e eu, mesmo sem entender nada de mecânica, consegui ajudar a fazer o diagnóstico.

E você? Já conhece um pouquinho de raciocínio clínico?

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