Tem muita gente por aí que, assim como nós, admira a figura de Sir William Osler (1849-1919), médico canadense que exerceu imensa influência na prática clínica e na educação médica atuais – a ponto de ser considerado por muitos como o pai da Medicina moderna.

Se você não conhecia William Osler, ficamos felizes de apresentá-lo a você!

Se você já conhecia, temos certeza que vamos trazer alguns fatos novos.

Confira abaixo algumas curiosidades sobre a vida e a obra de Sir William Osler, que selecionamos da sua biografia “William Osler: A Life in Medicine“, do autor Michael Bliss.

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CURIOSIDADES SOBRE SIR WILLIAM OSLER

  • Seu pai, Featherstone Lake Osler, era um pastor protestante que migrou da Inglaterra para o interior do Canadá-colônia na primeira metade do Século XIX. Antes disso, porém, Featherstone serviu como tenente na Marinha Britânica, e foi convidado para embarcar junto com Charles Darwin na histórica viagem do HMS Beagle, mas recusou na última hora.
  • No mesmo ano em que batizou seu próprio filho William, o reverendo Featherstone Osler também batizou William Banting, pai do Dr. Frederick Banting, um dos descobridores da insulina.
  • Inicialmente, o jovem William Osler queria seguir carreira religiosa como o pai, e chegou a começar os estudos para isso no Trinity College, em Toronto, em 1867. Ali teve contato com professores, como James Bovell e o reverendo William Arthur Johnson, que o influenciaram a enveredar para as ciências naturais e depois para a Medicina. Osler mudou, então, para a Toronto School of Medicine e depois para a McGill University, onde formou-se médico em 1872.
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O Reverendo W. A. Johnson e o professor James Bovell
  • Osler era um aficcionado do estudo das ciências naturais por meio do uso de uma invenção relativamente recente: o microscópio. Ele foi o primeiro médico a observar e descrever as plaquetas como componentes do sangue em 1874. Por pouco as plaquetas não chegaram a ser conhecidas como “corpúsculos de Osler!”
  • Osler criou o primeiro “Journal Club” formal, quando assumiu a vaga de professor na McGill University em 1874.
  • Nos primeiros anos após sua graduação, Osler trabalhou quase exclusivamente como patologista, tendo feito centenas de autópsias em McGill. No entanto, o salário era muito baixo, o que o motivou a ir trabalhar como clínico. Em 1874 tentou abrir um consultório privado em Montreal, mas não tinha quase nenhum paciente. Então, aceitou um emprego como médico na ala de varíola de um hospital local. Atendia os pacientes e depois fazia suas autópsias. Osler chegou a contrair varíola em 1876, mas foi uma forma leve, e ele recuperou-se sem sequelas.
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William Osler, patologista
  • Osler também estudava Patologia em animais para comparar com os achados em humanos, inclusive tendo sido o primeiro professor de Patologia Veterinária da América do Norte.
  • Osler só obteve seu primeiro trabalho como clínico em um grande hospital universitário em 1878, no Montreal General Hospital. Ele mesmo dizia que, até então, tinha visto mais pacientes mortos do que vivos.
  • O célebre tratado de Osler, “Principles and Practice of Medicine”, publicado pela primeira vez em 1892, teve 16 edições, foi traduzido em 6 idiomas e vendeu mais de 500.000 cópias no total até sua última edição em 1947.
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William Osler escrevendo seu célebre tratado "Principles and Practice of Medicine"
  • Apesar do imenso alcance do seu próprio livro, Osler sempre se referiu ao médico árabe Avicena como “o autor do mais famoso livro médico jamais escrito.”
  • Osler foi um dos sete fundadores da Association of American Physicians em 1885, e também ajudou a fundar a Association of Physicians do Reino Unido, em 1907, e a Postgraduate Medical Association, em 1911.
  • Osler não era pediatra (uma especialidade que estava nascendo no final do século XIX), mas atendia muitas crianças e dizia achar as crianças mais interessantes que os adultos – tanto que chegou a ser presidente da recém-fundada American Pediatric Society, em 1892.

William Osler o médico das crianças curiosidades Raciocínio Clínico
  • Sir Osler foi um dos primeiros médicos americanos a usar o extrato de tireoide para tratar o hipotireoidismo (então conhecido como “cretinismo” ou “mixedema”), e ficou entusiasmado com os resultados que, segundo ele, eram “transformações maravilhosas” e “transfigurações nunca sonhadas.”

  • Em um famoso discurso de 1889 (“Aequanimitas”), depois publicado como livro, Osler afirmou que as duas qualidades mais importantes do médico são a “imperturbabilidade” (continuar firme em meio à tempestade) e a “equanimidade” (tolerância e emoção moderada).

  • Até hoje, os internos da Johns Hopkins School of Medicine têm por tradição usar uma gravata ou lenço com a palavra “Aequanimitas” todas as sextas-feiras, em lembrança do discurso de Osler.

Internos da Johns Hopkins usando gravata e lenço com a palavra Aequanimitas - William Osler - curiosidades - Raciocínio Clínico
Internos da Johns Hopkins usando gravata e lenço com a palavra Aequanimitas
  • Osler foi retratado como um dos “quatro doutores” da Johns Hopkins, junto com Welch, Halsted e Kelly, em um famoso quadro (“The Four Doctors”) de John Singer Sargent que está exposto até hoje naquela escola médica.

  • William Osler questionou várias práticas comuns da época, inclusive chegando a concluir, a certa altura, que apenas quatro medicamentos (das centenas usadas pelos colegas) tinham alguma evidência real de benefício para os pacientes. Escreveu que “a vontade de tomar remédios é, talvez, a maior característica a distinguir o homem dos outros animais.”

  • Osler casou-se relativamente tarde (em 1892, aos 43 anos) e teve dois filhos. O primeiro morreu logo após o parto. O segundo, Edward Revere Osler, foi uma vítima do seu tempo: alistou-se no exército britânico e foi mortalmente ferido em combate na Primeira Guerra Mundial, em 1917. Apesar de ter sido operado pelo grande Harvey Cushing, Edward não resistiu e faleceu aos 21 anos.

William Osler com seu filho Revere - curiosidades - Raciocínio Clínico
William Osler com seu filho Revere
  • Osler foi fumante durante toda sua vida adulta, e não acreditava que o fumo estivesse ligado a consequências sérias para a saúde. (Lembre-se que era o comecinho do século XX!) Certa vez, chegou a escrever para o British Medical Journal dizendo que o tabaco, “em moderação, alivia a irritabilidade física e corrige o estrabismo mental e moral.”

  • Em 1908, quando morava na Inglaterra, Osler chegou a candidatar-se para reitor da famosa Universidade de Edinburgh, concorrendo contra um tal Winston Churchill – mas ambos perderam para um terceiro candidato, George Wyndham.

  • Nas últimas décadas de vida, em Oxford, Osler dedicou-se a colecionar livros médicos e históricos de forma quase obsessiva. Após sua morte, sua coleção foi doada à McGill University, onde hoje está exposta naquela que foi chamada Biblioteca Osler da História da Medicina, em sua homenagem.

Biblioteca Osler da História da Medicina, na McGill University
  • Essa não foi a única doação póstuma de Osler. Ele fazia parte da American Anthropometric Society, um grupo de intelectuais comprometidos em doar seus cérebros para pesquisa. Após sua morte, o cérebro de Osler foi levado para o Wistar Institute e depois para o Mütter Museum, tendo sido publicamente exposto em 1987 no congresso da American Osler Society.

Gostou? COnfira também a Biografia de Sir William Osler!

PARA SABER MAIS:

Bliss M. William Osler: A Life in Medicine. New York: Oxford University Press, 1999.

McGill University. Biblioteca Osler da História da Medicina

Caso você tenha interesse, é possível baixar (de graça!) o famoso tratado de William Osler, “Principles and Practice of Medicine” em PDF e na íntegra: clique aqui.